Como surgiu a capoeira


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Patrimônio nacional da cultura brasileira, a capoeira tornou-se um símbolo de expressão corporal e artística capaz de mesclar, em seus golpes e gingas, arte-marcial, música, esporte e cultura popular.

Mesmo que se diga abertamente que a capoeira originou-se no Brasil, os dados históricos apontam para outra versão. O que se pode concretamente afirmar é que a capoeira foi desenvolvida em terras brasileiras principalmente pelos descendentes dos escravos vindos da África Ocidental, traficados para a execução de trabalhos brutos e sem qualquer tipo de remuneração.

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Origem da Capoeira

Na história da humanidade, a escravidão foi a pior das práticas feita pelo próprio homem para com seus semelhantes. Os colonos e burgueses, sedentos por ouro e crescimento econômico não mediram esforços e encontraram uma maneira vantajosa e lucrativa de conquistar e construir seus impérios forçando os povos da África, carentes de qualquer tipo de poder, a trabalhos exaustivos e cruéis, tudo em função do acumulo de riqueza.

Os escravos eram trancafiados dentro de senzalas e viviam isolados do convívio social; só podiam ter contato com pessoas de sua própria etnia. Porém, mesmo com tanta injustiça e sofrendo tantos castigos físicos por parte de seus senhores, os escravos sempre cultivaram uma alegria interior e preservaram suas heranças, histórias e a cultura de seu continente de origem, a África.

Por volta do século XVI, os escravos encontraram uma forma prática de expressar toda a alegria que possuíam mas que o poder vigente na época insistia em lhes oprimir. Não tardou muito e eles criaram uma espécie de dança que mostrava toda a sua força, agilidade, destreza e desejo de liberdade sem utilizar armas de fogo. Desta forma se originou a capoeira, que muitos dizem ser brasileira, porém a história a considera uma herança vinda da África para o Brasil.

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Resistência e Cultura

Muitos escravos conseguiam fugir das senzalas e dos maus tratos por parte dos senhores feudais. Os locais onde se refugiavam eram chamados de quilombos e até hoje existem comunidades quilombolas em terras brasileiras principalmente nas cidades do interior de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Nestes locais, os ex-escravos possuíam a liberdade mínima de expressar sua cultura e se libertar do poder opressivo que até então estavam condicionados. Nos quilombos a capoeira criou forças e com o final da escravidão, em 1888, ela ganhou mais espaço e notoriedade. Porém, por muitos anos, foi utilizada como prática de violência e matança, chegando a ser proibida oficialmente em todas as regiões do país.

Séculos e décadas depois, a capoeira foi sendo incorporada aos poucos no cotidiano das pessoas não como luta, mas como expressão cultural dos povos africanos. Esta prática foi desenvolvida no Brasil sendo que atualmente a capoeira é utilizada para demonstrar ao mundo um pouco da herança brasileira em termos de arte e história, conquistando cada vez mais adeptos e praticantes.

Hoje em dia, não somente os descendentes de escravos e negros praticam a capoeira, como também pessoas de pele branca e de origens europeias, crianças, jovens e adultos, todos juntos em uma verdadeira roda multirracial unindo forças e valores a fim de manter viva a única esperança de um povo que sofreu durante décadas simplesmente por não ter a pele tão branca quanto a população restante da humanidade.

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Em festas típicas, colégios, academias ou locais específicos a capoeira é passada às novas gerações não com a intenção de retratar a dor do povo africano, que foi escravizado em terras brasileiras, mas sim, como expressão de força e resistência a todo e qualquer tipo de preconceito que possa existir no coração dos homens, vencendo o ódio e a maldade somente com a dança e a alegria que são as principais características da capoeira desde a sua criação.

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